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Esperança (Maio de 2013)

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Revista mensal publicada originalmente em maio/2013 pela Bible Truth Publishers

ÍNDICE

 

          Christian Truth

          W. J. Prost

          Words of Truth (adaptado)

          The Bible Treasury (adaptado)

          C. H. Mackintosh (adaptado)

          D. C. Buchanan

          W. J. Prost

          Sir Edward Denny

L. Perry

Esperança

 

É uma “boa esperança” (2 Ts 2:16).

 

É uma “bem-aventurada esperança” (Tt 2:13).

 

É uma “viva esperança” (1 Pe 1:3).

 

É uma “âncora da alma” (Hb 6:19).

 

É o próprio “Senhor Jesus Cristo” (1 Tm 1:1).

 

É a esperança que “não envergonha” (Rm 5:5).

 

Nossa esperança não é como a esperança humana. Eu posso dizer: “Espero que não chova hoje”. Mas talvez chova, e talvez não. Essa esperança não é certa e segura. Mas nossa esperança definitivamente não é assim. Não há “talvez” em nossa esperança. Quando temos como nosso Salvador e Amigo, sobre Quem descansar, o DEUS DA ESPERANÇA, então não temos base incerta para a nossa confiança. Na verdade, a nossa é uma esperança segura e certa. É verdade que ainda não a vemos, ou isso não seria esperança. Mas sabemos que encontraremos cada esperança de glória alcançada.

 

“Por que estás abatida, ó minha alma? E por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus” (Sl 43:5).

 

Christian Truth

Esperança Adiada

 

O assunto da esperança ocupa um grande lugar no Novo Testamento, e especialmente no Livro de Romanos, onde ocorre treze vezes na versão Almeida Corrigida e doze vezes na versão Almeida Atualizada. Nesta epístola, somos vistos como redimidos e tornados aptos à presença do Senhor, mas ainda como homens na Terra, operando o nosso caminho em meio a dificuldades, mas com a esperança da bênção eterna no final do caminho. É importante ver que a palavra “esperança” na Escritura não carrega nenhum grau de incerteza quanto ao cumprimento daquilo que se espera; a única incerteza é quanto ao momento de realização da esperança. Isso é diferente do significado geral da palavra na linguagem cotidiana, onde a esperança geralmente indica incerteza em todos os aspectos sobre um evento futuro.

 

A questão de nossa salvação eterna é abordada nos primeiros capítulos de Romanos, e o assunto é resumido no capítulo 5, onde lemos:  “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo Qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos”  (Rm 5:1‑2).

 

Nesta verdade, o crente pode descansar, pois ele foi justificado pela fé, tem paz com Deus sobre a questão de seus pecados e pode se alegrar “na esperança da glória de Deus”. Quase nenhum crente devidamente instruído duvidaria da força dessas palavras e da certeza delas. A obra de Cristo está completa; estamos diante de Deus em graça e não tememos juízo por nossos pecados. Como alguém observou: “É relativamente fácil para o crente deixar com Deus a questão de sua eterna salvação e destino, pois percebemos que isso está inteiramente em Suas mãos”. De fato, nos alegramos na esperança diante de nós.

 

No entanto, ainda não estamos em casa, mas temos uma esperança diante de nós e, como lemos em Romanos 8:25, “Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos”. A espera em paciência está ligada à nossa fé, pois é na proporção da força de nossa fé que a nossa esperança é sustentada. (Vale ressaltar que a palavra “fé” também é proeminente no Livro de Romanos, ocorrendo não menos de quarenta vezes na versão Almeida Corrigida). Se nossa fé é forte e estamos totalmente convencidos da verdade do que Deus disse, então nossa esperança também será forte e, de fato, esperaremos com paciência a realização dela. No entanto, ainda somos homens e mulheres na Terra, e as provações e tristezas do caminho podem ocasionalmente ameaçar sobrecarregar nossa fé e esperança.

 

Esperanças conectadas a esta vida 

Para todo crente, pode haver certas esperanças que estão relacionadas a esta vida – certos sonhos e ambições que gostaríamos de realizar aqui. Essas esperanças podem assumir muitas formas e, é claro, são mais fortemente sentidas quando somos jovens. Pode ser uma esperança que até uma pessoa terrenal possa ter, como sucesso financeiro, posses, fama ou poder. Tais expectativas ainda podem estar presentes no coração do crente. No entanto, pode ser uma esperança relacionada às coisas da vida cotidiana – coisas que não estão erradas em si mesmas. Talvez exista uma carreira em particular que gostaríamos de seguir, ou pode ser uma esperança por um parceiro de casamento e talvez uma família que possa, com o tempo, nos cercar. Pode ser uma esperança relacionada a coisas espirituais, talvez por uma casa, que gostaríamos de usar para o Senhor. Em outros casos, pode haver um desejo de servir ao Senhor de uma maneira específica ou de ver um grupo de crentes indo bem em um determinado lugar. Todas essas coisas podem, em vários momentos, tomar conta de nosso coração e gerar um desejo ardente por sua realização.

 

Quando o tempo passa e nossa esperança não é cumprida, nossa fé é provada. Embora não possamos ceder ao desespero que muitas vezes domina o homem do mundo, é fácil entrar em desânimo. Lemos em Provérbios 13:12: “A esperança adiada desfalece o coração” e vemos muitas pessoas no mundo hoje que estão abatidas dessa maneira. É triste dizer que não são poucos os crentes, cujas esperanças nesta vida não amadureceram e cujas ambições parecem ter sido arremessadas ao chão. Não apenas desânimo, mas também amargura pode surgir, e talvez até um sentimento (embora talvez não dito) de que “o caminho do Senhor não é igual” (Ez 18:25 – TB).

 

Qual é a resposta? 

Antes de tudo, devemos perceber que, como crentes nesta dispensação da graça de Deus, não nos é prometido nada neste mundo. As bênçãos de Israel eram terrenais, mas todas as nossas bênçãos são celestiais e, embora Deus, em Sua bondade para conosco, possa nos dar misericórdia pelo caminho, devemos entender que essas são de fato misericórdias, não bênçãos. Nos últimos 150 anos, o Senhor tem dado muito em termos de misericórdia temporal a algumas partes do mundo, particularmente à Europa Ocidental e à América do Norte. O resultado foi que muitos crentes que vivem nessas áreas hoje em dia tendem a considerar essas coisas normais e adequadas para elas, considerando-as parte das bênçãos de Deus. O Senhor Jesus poderia dizer aos discípulos: “No mundo tereis aflições” (Jo 16:33), e em Sua oração a Seu Pai, Ele poderia dizer: (Eles) não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo” (Jo 17:14). O crente pode olhar para traz, para a cruz do Calvário, e descansar Sua fé na obra de Cristo; ele também pode olhar para frente, para a glória, e descansar sua esperança no que Deus prometeu. Mas a ele não foi prometido nada entre a cruz e a glória, exceto o privilégio de seguir um Cristo rejeitado e ter Seu gozo cumprido neles.

 

Quando essa verdade agarra firmemente a alma, somos libertados das ansiedades e frustrações que muitas vezes tendem a nos dominar. Não devemos desejar coisas como poder, dinheiro e fama, pois “as nações do mundo buscam todas essas coisas” (Lc 12:30). No entanto, não é errado ter certas esperanças ligadas à vida aqui embaixo. O crente está morto para o mundo e morto para o pecado, mas nunca se diz que ele está morto para a natureza. Tais esperanças como uma carreira, um parceiro de casamento adequado, uma família ou um lar não estão fora do caráter do Cristianismo. Da mesma forma, na esfera espiritual, é bastante necessário ter uma esperança de servir ao Senhor de uma maneira específica, ser usado como um instrumento de bênção para o povo de Deus e ver os santos de Deus indo bem e em harmonia juntos. No entanto, em todas essas coisas, devemos permitir que o Senhor molde nossas circunstâncias, primeiro para Sua glória e depois para nossa bênção final. Qualquer objeto, qualquer esperança, que esteja aquém do próprio Cristo, mesmo algo de bom em si mesmo, não é digno do crente.

 

Deus Se deleita em nossa felicidade 

Ao dizer tudo isso, não queremos dar a impressão de que o Senhor pretende que levemos vidas solitárias e de sacrifícios físicos. Não, Ele Se deleita em nossa felicidade e nos disse no Salmo 37:4: “Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração”. Esses desejos certamente incluem as alegrias naturais que Ele graciosamente nos proporcionou. Mas devemos permitir que Ele faça essa escolha por nós e não insistir em nossa própria programação.

 

Nossas próprias esperanças e ambições podem ser muito boas em si mesmas, mas os propósitos do Senhor para nós nos levam a um plano superior, onde vivemos e nos movemos à luz da eternidade, não apenas para a vida aqui em baixo. Enquanto Deus deseja nossa felicidade, devemos lembrar que a felicidade é um estado de alma, não uma questão de circunstâncias. É no caminho de Sua vontade que não apenas O honraremos, mas também seremos extremamente felizes. Mais do que isso, estaremos construindo para a eternidade, não para o tempo.

 

Isso é verdade mesmo em coisas espirituais, onde as esperanças não realizadas podem ser particularmente difíceis de serem realizadas. Sem dúvida, Paulo sentiu isso profundamente quando teve que dizer, no final de uma vida extenuante e fiel: “Os que estão na Ásia todos se apartaram de mim” (2 Tm 1:15). No entanto, não há um indício de desânimo em toda a epístola, apesar do declínio geral que estava tomando toda a profissão do Cristianismo. A fé de Paulo permaneceu forte, e ele poderia dizer: “eu sei em Quem tenho crido” (2 Tm 1:12). Nos anos mais recentes, quando um irmão mais novo foi ocupado com problemas entre os santos e se perguntou em voz alta: “O que será de nós?” um irmão mais velho respondeu sabiamente: “A Escritura não conhece futuro algum para o crente senão a glória.”

 

Ter acalentado esperanças de que podemos alegremente nos submeter à vontade do Senhor para conosco é o caminho da alegria e da bênção, pois nossa vontade não está ativa, mas antes dizemos, como o Senhor Jesus disse: “Não se faça a Minha vontade, mas a Tua” (Lc 22:42).

 

W. J. Prost

Completa Certeza da Esperança

 

“Em esperança, somos salvos”, diz o apóstolo em Romanos 8:24, conectando-nos ao futuro glorioso de Deus. Não há a menor incerteza implícita nessas palavras; mas exatamente o oposto. Podemos antecipar a ressurreição, quando nosso pobre corpo compartilhar da redenção eterna obtida por Cristo, assim como agora temos essa redenção tornada real na alma. Pode ser proveitoso notar que a Escritura usa a palavra “salvação” de três maneiras:

 

  1. Como em Efésios 2:8: “Porque pela graça sois salvos” – isto é, libertação completa da culpa e do domínio ou reino do pecado.

  2. Operai a vossa salvação”, como em Filipenses 2:12 – isto é, trabalhe sua própria libertação, no poder de Deus desejando e efetuando (v. 13) de muitas dificuldades que cercam o caminho do santo. Trabalhe-a com vistas a um resultado prático.

  3. “a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm 13:11); então o pobre corpo será totalmente libertado dos efeitos da maldição e, resgatado da sepultura, será formado como o corpo de Sua glória (Filipenses 3:21).

 

É nesta última visão da salvação que se diz que “em esperança somos salvos”; não é uma aventura, mas “somos salvos”, mesmo quanto ao futuro. Tão certa é a verdade de uma salvação presente e futura que, neste mesmo capítulo (Rm 8) o apóstolo diz: “Se o Espírito d’Aquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, Aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que em vós habita” (v. 11). As esperanças que Deus apresenta são todas certezas, simplesmente porque Ele é O que promete; as esperanças do homem são todas incertezas, porque o homem é o promissor.

 

Diligência até o fim 

Os hebreus que renegaram e romperam com o judaísmo e adotaram a profissão Cristã são vistos (na epístola especialmente dirigida a eles) como a caminho do céu, mas estão atravessando o deserto, lutando com suas dificuldades, enquanto são sustentados pelo sacerdócio, corrigidos e disciplinados pela Palavra de Deus (veja Hebreus 4:12-16). O mundo é o lugar onde as atividades da fé são manifestadas. Assim, diz: “desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado, para completa certeza da esperança até o fim” (Hb 6:11). Diligência é exigida nos santos, em vista de seu futuro abençoado, e isso deve ser mantido “até o fim” do caminho do peregrino. Descanso e glória serão desfrutados quando Ele vier. Seu amor, temos agora; Sua glória e herança compartilharemos na Sua vinda.

 

Completa certeza 

Temos a completa certeza dessa “esperança”? Podemos ter a “completa certeza da esperança” porque Aquele que está vindo é amado e conhecido como O que nos purifica de nossos pecados. Não se pode supor que a verdade da vinda do Senhor seja bem-vinda para pessoas que não romperam com o mundo. Muitos estão tentando fazer o que Jesus diz que não pode ser feito: “Não podeis servir a Deus e a mamom” (Pv 22:7; Mt 6:24).  Se eu não estou dando toda a diligência para acrescentar virtude e conhecimento à minha fé (2 Pedro 1:5-10), sou “cego, nada vendo ao longe” e estou “esquecido da purificação dos… (meus) antigos pecados”. Ou seja, minha condição é praticamente julgada pela glória diante de mim e pela graça que me purificou de meus pecados. Estes são os dois grandes testes de todas as condições espirituais – a cruz e a glória.

 

O refúgio 

Quão seguro e calmo alguém pode estar em meio à agitação deste mundo! Pode-se cavalgar sobre suas ondas enfurecidas, sustentado em cada tempestade pela âncora que foi lançada “dentro do véu” e pela “esperança” que ali entrou. Nenhuma tormenta ou tempestade jamais varre a cena – a presença de Deus sem nuvem alguma. E a nossa esperança – a âncora da alma, segura e firme – penetrou lá.

 

Temos nós corrido para o refúgio, para essa esperança proposta que temos diante de nós? Observe que esta não é a fuga do pecador para Cristo, mas a fuga do santo. É aquele que fugiu de sua natureza corrupta, fugiu de si mesmo e do mundo, aquele que se apossou “da esperança proposta”. Você está procurando melhorar sua condição no mundo? Estabelecer seu nome e família na cena da desonra do Salvador? A posição e atitude d’Ele para com o mundo não determinam a sua própria posição e atitude? Aceite, então, “a Sua cruz” como sua porção aqui. Todas as suas bênçãos são espirituais e estão em Cristo nos lugares celestiais (Ef 1:3).

 

Seu caminho, promessa e juramento 

“Reter a esperança proposta” supõe energia da fé. O gozo que estava diante do Senhor O sustentou; por isso, Ele suportou a cruz e agora está assentado à destra do trono de Deus (Hb 12:1-2). Se o Seu caminho está diante de nós, também o Seu gozo está diante de nós – estar com Ele e como Ele.

 

Mas como se não bastasse Deus entrar no meio de nossas tristezas e provações e sustentar nosso coração com promessas de descanso, glória e bênção, Ele quis estabelecer nossa alma em divina certeza por meio de Sua promessa e do Seu juramento. Seu propósito imutável de nos abençoar com Cristo foi confirmado por Seu juramento.

 

Assim, o fundamento da “completa certeza da esperança” é a palavra e juramento de Deus. Em outras palavras, não é o coração pobre, provado e perplexo que olha dentro ou ao redor para descobrir se ele tem essa garantia; antes, Deus a escreveu claramente, para que a fé a aceite e o homem siga seu caminho regozijando-se.

 

Words of Truth (adaptado)

O Deus da Esperança

 

O próprio título aqui ligado ao nome de Deus O proclama como a fonte de toda a esperança. A esperança é um dos principais sustentadores da vida, pelo menos para os filhos de Deus. Eles conhecem a Deus em Seu amor, desfrutam de Seu cuidado, de Sua paz, e no entanto não podem prescindir da esperança que lhe é dada. Quando levados para receber a salvação em e por Sua graça, começaram a ver este mundo sob uma nova luz. Eles percebem e experimentam que este mundo é uma massa de ruínas, fruto e resultado do pecado e da desobediência do homem. Eles não acusam Deus pela ruína. Como poderiam? Um Deus vivo e verdadeiro, perfeito e santo, não pode ser o Autor da miséria e do sofrimento com os quais estamos tão familiarizados. Somente a depravação da imaginação do homem pode conceber tal pensamento. Um crente reconhece que, como membro da raça humana, ele é, em sua parte, responsável por seu estado atual. Longe de reclamar dos caminhos de Deus, ele vê a intervenção misericordiosa de Deus na maravilhosa dádiva de Seu Filho, enviado para ser a propiciação pelos nossos pecados. “Nisto está o amor”, diz o apóstolo João, e quão correto é isso!

 

Mas por Sua propiciação à custa de Si mesmo, Sua vida e Seu sangue, o Filho não restaurou as coisas como estavam no curto dia da inocência do homem. Em vez disso, Ele salva o homem para o melhor paraíso do céu, o paraíso de Deus, onde nada pode ser estragado ou arruinado, enquanto Ele deixou a ruína e o sofrimento no mundo como ele é, lembrando o homem de sua queda sem esperança. Geração após geração foi levada a sentir isso e, pelo próprio sentimento disso, alguns foram levados a se voltar para o Salvador.

 

Divinamente garantido 

O crente sente em seu corpo, não menos que o incrédulo, os sofrimentos do tempo presente e muito mais em seu espírito. No entanto, ele se alegra e até exulta. Como pode ser isso? “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5:1-5). A esperança Cristã recebeu do amor de Deus uma promessa que não pode falhar, nem mesmo o Espírito Santo, “E, se o Espírito d’Aquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, Aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que em vós habita” (Rom. 8:11). Assim, a esperança Cristã é divinamente garantida.

 

Fé e amor 

Na Escritura, a esperança está ligada à fé e ao amor (1 Co 13:13), mostrando assim, na medida em que a fé precede a esperança, que não pode haver esperança sem fé – fé no evangelho como agora pregado na Terra. Se a Terra foi palco da queda do homem e testemunhou a entrada do pecado no mundo e a morte pelo pecado, a Terra também testemunhou aquela poderosa obra da cruz em virtude da qual Deus exaltou Seu Cristo como Príncipe e Salvador. E por essas duas coisas, das quais a Terra tem sido testemunha – pecado, por um lado, e redenção, por outro – todas as questões relativas à eternidade foram resolvidas na vida presente – resolvidas para bênção ou para maldição – para bênção daqueles que receberam o testemunho de Deus a respeito de Seu Filho; para maldição daqueles que a rejeitaram.

 

Uma boa esperança 

Por receber esse testemunho, um homem se torna Cristão e, sendo Cristão, tem direito a bênção nesta vida e na próxima. Entre suas bênçãos aqui embaixo está a esperança, “boa esperança”, porque é dada por Deus e concedida em conjunto com conforto eterno. É também uma “bem-aventurada esperança”, direcionando os olhos da fé para a aparição da glória de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Naquela aparição gloriosa, todo crente tem um interesse imediato. Estaremos com Ele então, Seus companheiros. Como essa perspectiva move nosso coração e influencia nossa vida e conversas diárias?  “Com o Senhor” – não é glória e bem-aventurança se não for com Ele. Se fosse sem Ele, nunca nos satisfaria, nem satisfaria a Ele, que nos redimiu para Si mesmo à custa de Sua própria vida. Nada além de ver o fruto do trabalho de Sua alma poderia satisfazê-Lo, e Ele verá o trabalho de Sua alma quando Ele nos tiver com Ele em Sua glória. “E Eu dei-lhes a glória que a Mim Me deste” (Jo 17:22).

 

Uma viva esperança 

É uma “viva esperança”, como Pedro escreve, fundamentada na ressurreição de Jesus Cristo, e “uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar”. Foi concedido a Moisés ter uma visão completa de Canaã do alto de Pisga. Dali ele contemplou a boa terra, a terra que mana leite e mel. Deve ter sido para ele uma visão deleitosa, por causa do seu profundo amor pelo povo de Deus. Ele tinha certeza de que Deus a faria boa para Israel, e podia antecipar a alegria deles e compartilhar disso. No entanto, essa herança era corruptível e logo desapareceu. Temos uma visão melhor do que a de Moisés. A porta da nossa esperança se abre para o céu, assim como a janela da arca. A partir daí, podemos examinar nossa herança, “guardada no céu” para nós, e somos “guardados (por ela) no poder de Deus”. Nenhum fracasso pode entrar aqui, nenhum poder pode sequer comparar-se ao poder de Deus, que tem tanto a herança quanto a nós sob a Sua guarda.

 

Como Cristo 

Há ainda uma característica ligada à nossa esperança dada por Deus e, pode-se dizer, a mais brilhante. Será indescritivelmente bendito estar com Cristo, como Seus companheiros e Seus coerdeiros no dia de Seu poder, mas há algo que se compare a ser como Aquele que é o próprio resplendor da glória de Deus? No entanto, Deus nos predestinou para sermos conformes à imagem de Seu Filho, e, certamente, Seu propósito permanece firme para sempre. A fé pode e conta com isso com toda a certeza. Como essa parte de nossa esperança será cumprida? Pela adoção, “a redenção do nosso corpo”, como lemos em Romanos 8. Já temos a adoção, a redenção de nossa alma; nós clamamos: “Abba, pai”. Agora somos filhos de Deus tanto quanto sempre seremos. Mas ainda existe em nós o que herdamos do primeiro Adão – um corpo mortal, um corpo de humilhação e de corrupção. E sabemos que carne e sangue, como nosso corpo é atualmente constituído, não podem herdar o reino de Deus; nem a corrupção herda a incorrupção. Como então seremos livrados deste corpo mortal e corruptível? Pelo ato de poder do Remidor de nossa alma. “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o Seu corpo glorioso, segundo o Seu eficaz poder de sujeitar também a Si todas as coisas” (Fp 3:20-21).

 

Vendo-O como Ele é 

Mas não é apenas pelo poder que devemos ser conformes a Cristo. O apóstolo João declara: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos” (1 Jo 3:2). Ser como Ele é consequência de vê-Lo como Ele é. Visão maravilhosa! Os discípulos O viram depois de Sua ressurreição, viram quando Ele subiu, mas não O viram glorificado no alto (exceto Paulo) e eles não eram como Ele. Eles e nós aguardamos a ressurreição daqueles que são de Cristo na Sua vinda. Então todos seremos como Ele, pois O veremos como Ele é. Visão arrebatadora! Agora, mesmo onde a fé está mais em atividade, vemos apenas “como por espelho em enigma”, mas então veremos face a face, “como Ele é”. A consequência será que refletiremos Sua beleza e Sua glória, de modo que Ele será glorificado nos Seus santos e maravilhado ou admirado em todos os que creram. Observe, é dito: “nos Seus santos”. Se fosse dito: “por Seus santos”, não implicaria necessariamente que eles fossem “como Ele”.

 

Que o conforto dessa esperança purificadora e santificadora encha a alma de todos aqueles que amam Sua aparição e desejam vê-Lo em seu esplendor! “Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pelo poder do Espírito Santo” (Rm 15:13).

 

The Bible Treasury (adaptado)

O Prisioneiro da Esperança

 

Existem dois princípios principais na alma do Cristão, que fazem de Deus o Objeto especial. Estes são “fé e esperança”. Há uma marcante distinção, e ainda uma conexão íntima, entre esses dois princípios. A fé toma aquilo que Deus deu; a esperança espera aquilo que Ele prometeu. A fé repousa em santa tranquilidade nas declarações de Deus acerca do passado; a esperança avança em ativos anseios quanto ao futuro. A fé é uma receptora; a esperança é uma expectante. Agora, descobriremos que, proporcionalmente ao vigor da fé, será o vigor da esperança. Se não estiver “certíssimo de que o que Ele tinha prometido também era poderoso para o fazer”, pouco saberemos sobre o poder ou energia da esperança. Se a fé estiver vacilando, a esperança estará instável. Se a fé é forte, a esperança também será forte, pois a fé confere força e intensidade à expectativa. O patriarca Abraão foi um feliz exemplo disso tudo; sua “fé e esperança” estavam verdadeiramente “em Deus”. As circunstâncias não acrescentaram nada a ele. Foi-lhe prometida toda a terra de Canaã, onde não tinha nem ainda o espaço de um pé: Foi-lhe prometida uma semente como as estrelas do céu ou como a areia à beira-mar, quando ainda não tinha filhos. Tudo dentro do alcance da visão mortal argumentava contra ele, mas a promessa do “Deus Todo-Poderoso” era suficiente para o homem de fé. “O Deus da glória” o chamou da cidade sem fundamentos do homem para a cidade bem fundada de Deus.

 

A fortaleza 

Mas Zacarias 9:12 nos diz: “Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também hoje vos anuncio que vos restaurarei em dobro”. Este versículo apresenta o crente como o receptor da graça e o expectante da glória; como alguém alojado em segurança em uma “fortaleza”, mas ainda como “preso de esperança”; como alguém que desfruta de perfeita paz, mas também vive na esperança de coisas melhores. Vamos olhar mais de perto para esses dois pontos.

 

Há apenas uma coisa que pode tornar a alma feliz em olhar para o futuro, e é o conhecimento do amor redentor de Deus em dar o Seu Filho para ser o sacrifício perfeito pelo pecado. O pecador deve chegar ao outro lado da cruz antes que ele possa olhar feliz ou pacificamente para frente; só podemos estudar profecia com uma consciência purificada. É quando conhecemos, por meio do Espírito, o valor dos sofrimentos de Cristo que podemos contemplar com alegria a glória que virá a seguir. Aquela graça que traz a salvação deve primeiro ser recebida antes que “a bendita esperança” possa ser desfrutada.

 

O evangelista e o mestre 

Tudo isso nos leva a ver a distinção entre a obra do evangelista e a do mestre. O evangelista deve transmitir uma mensagem simples a respeito de uma obra consumada, a qual obra precisa ser a base da paz do pecador culpado. Ele tem o privilégio de permanecer no meio de um mundo em ruínas e oferecer salvação a todos que crerem na Palavra acerca da cruz. É importante que os evangelistas entendam claramente a natureza e os limites de sua obra e os termos de sua comissão. Às vezes acontece que os pregadores do evangelho estragam sua obra, ao invadir a província do mestre. Eles acham que devem pressionar a atenção das pessoas nos frutos que resultam da recepção do evangelho, mas isso é, falando propriamente, a obra do mestre, que tem a ver apenas com os que já passaram pelas mãos do evangelista. O mestre não tem mais a ver com os pecadores do que o evangelista tem a ver com os santos. Certamente, às vezes podemos ver o dom de um evangelista e um mestre desenvolvido na mesma pessoa. Onde eles são assim combinados, é necessário muito cuidado para não confundi-los em seus exercícios.

 

O mestre não deve apenas insistir com o crente sobre suas responsabilidades; ele também deveria instruí-lo quanto à natureza de sua esperança e expor-lhe o livro da profecia, segundo a sabedoria do Espírito Santo. O evangelista tem que falar do que Deus fez; o mestre, daquilo que Ele fará. O primeiro apela para a ação da fé; o último, para a ação da esperança. O primeiro aponta para a fortaleza; o último fala ao preso da esperança. Se essas coisas forem confundidas, o efeito será muito prejudicial. O inimigo das almas pode muitas vezes causar muito dano, levando os não regenerados a exercitar seu intelecto sobre o assunto da profecia. O diabo tentará suprimir ou corromper a verdade de Deus. Por séculos, ele conseguiu manter a Igreja de Deus afastada da preciosa doutrina da vinda do Senhor. Agora que a atenção foi despertada para o assunto, ele está maliciosamente tentando anulá-la, fazendo com que lábios profanos a proclamem e a ensinem, ou fazendo com que os Cristãos discordem acerca dela.

 

O lugar do Cristão 

O remédio para esses males perigosos é o simples entendimento do lugar do Cristão, como um preso da esperança. O Espírito de Deus tem falado do destino da Igreja com o objetivo de confortar o preso, dando-lhe uma esperança bem fundamentada. O crente, descansando no sangue de Cristo, tem o privilégio de aguardar a “manhã sem nuvens”, enquanto já sabe que ele é aceito no Amado. Assim, o crente é um preso da esperança. Sua fé repousa na cruz; sua esperança se alimenta das ricas pastagens do registro profético de Deus. Seu espírito viaja por um curso em que a cruz é o ponto de partida e a glória é o objetivo.

 

Os dois pontos são inseparáveis. Somente quando achamos doce olhar para trás é que também achamos doce olhar para frente. Devemos ver nossos nomes no livro da vida antes que possamos entender nosso título de alegrias eternas. Para a alma não regenerada, o futuro é indescritivelmente terrível, pois a profecia transmite uma mensagem dupla. Fala de juízo para o homem que ainda está em seus pecados, e fala de vida eterna para o homem que creu no Filho de Deus. Portanto, para o primeiro, fala de naufrágio completo; para o último, a gloriosa consumação de todas as suas esperanças.

 

À espera da adoção 

Todo prisioneiro anseia pelo dia da libertação. As paredes de sua prisão não atraem sua atenção; ao contrário, ele geme e suspira por libertação. Assim deve sempre ser conosco. “Gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”. “Porque, na verdade, nós” diz o apóstolo, “os que estamos neste tabernáculo, gememos oprimidos, porque não queremos ser despidos, mas sim revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida”. Aqui está a linguagem apropriada de um preso da esperança. Sem dúvida, sentimos a aflição e a provação de nossa posição atual; sim, “gememos oprimidos”. No entanto, o despojamento do tabernáculo terrenal não remediaria perfeitamente o caso. Estar despido quanto ao nosso espírito não nos faria perfeitamente felizes. Alguns Cristãos erram em seus pensamentos sobre esse assunto, pensando que, no momento em que o espírito escapa de sua prisão, ele entra em perfeita bem-aventurança. Mas nada além de estar revestido com sua habitação que é do céu, pode preencher a medida da alegria do crente. Até então, que ele esteja aprisionado na sepultura ou em um corpo de pecado e de morte, a morte e a mortalidade ainda prevalecem, no que diz respeito ao corpo. Quando ele aparece em suas vestes de ressurreição, de glória e formosura, então a morte terá sido tragada na vitória e a mortalidade terá sido absorvida pela vida. Falar de perfeita bem-aventurança enquanto o espírito está despido e o corpo misturado ao pó, é uma contradição.

 

Com Cristo, que é muito melhor 

Creio que existem apenas quatro lugares no Novo Testamento onde se fala do estado do espírito não revestido, e nenhum deles fornece uma descrição completa desse estado. Ao contrastá-lo com nossa atual condição dolorosa e penosa, o apóstolo diz: “É muito melhor”. Sim, na verdade, “é muito melhor” ficar longe de uma cena de conflitos e turbulências, mas isso não constitui o ápice da bem-aventurança. Quão diferente o Espírito Santo fala do estado de ressurreição! As glórias relacionadas a ele constituirão a própria consumação da alegria e bem-aventurança do crente; até então, ele é apenas um preso de esperança. Os patriarcas, os profetas, os apóstolos, o nobre exército de mártires – todos os nossos amados irmãos que vieram antes de nós – sim, e o próprio Mestre – todos aguardam a manhã da ressurreição. Todo membro disperso do rebanho de Cristo deve ser reunido no rebanho celestial antes que as festividades do reino possam começar.

 

Assim, vemos a grande importância de sermos corretamente instruídos quanto à natureza de nossa esperança. Quando sabemos o que estamos esperando, somos capazes de dar uma resposta, pois a vida de um homem é sempre influenciada por suas verdadeiras esperanças. Se um homem é herdeiro de uma propriedade, sua vida é influenciada pela esperança de herdá-la. Se conhecêssemos mais do poder do Espírito como “o penhor da nossa herança”, em vez de discutirmos acerca do momento ou da maneira da chegada do nosso Mestre, nós, como “presos da esperança”, estaríamos ansiosamente olhando para fora da janela de nossa prisão e dizendo: “Ora vem, Senhor Jesus!”

 

C. H. Mackintosh (adaptado)

Há Esperança

 

Desde o momento em que nascemos, a esperança é uma parte necessária de nossa existência, e sem ela a tragédia acontece. A manchete de hoje fala de uma famosa cantora que se suicidou, deixando dois filhos, sendo o mais novo um menino de apenas dez meses. O pai tirou a vida há um mês. Embora não conheçamos os detalhes que levaram a essa terrível tragédia, podemos considerar qual é a nossa esperança, a qual nos manteria focados no real significado da vida. Temos motivos para desistir da esperança? Alguma circunstância é tão ruim que Deus não consiga transformar em bem? Desde o princípio, quando o pecado veio ao nosso mundo, Deus sempre colocou a esperança diante do homem. Ele prometeu que a semente da mulher feriria a cabeça da serpente (Satanás) (Gênesis 3:15). Essa esperança foi assegurada por meio do Senhor Jesus Cristo. Ele viveu a perfeita vida exemplar de dependência e obediência a Deus, até a morte. A raça humana, uma vez condenada a morrer sem esperança, agora tem uma visão brilhante por meio da ressurreição de Jesus Cristo. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo, dentre os mortos” (1 Pe 1:3).

 

“Tu fizestes-Me confiar” (TB) 

No Salmo 22, lemos sobre os pensamentos e sentimentos que o Senhor Jesus tinha para com Deus ao contemplar ser abandonado na cruz. Ele Se refere ao tempo de Seu nascimento, quando, ainda Bebê, confiava em Deus: “Mas Tu és o que Me tiraste do ventre; fizeste-Me confiar, estando aos seios de Minha mãe. Sobre Ti fui lançado desde a madre; Tu és o Meu Deus desde o ventre de Minha mãe” (Sl 22:9-10). Aí vemos completa dependência de Deus desde o Seu começo como Homem. Entre todas as criaturas que Deus criou, os humanos recém-nascidos são os mais dependentes de seus pais para sobreviver. Desde Seu nascimento, o Senhor sempre confiou em Deus e nunca deixou de confiar em Deus, mesmo diante da morte. Ele morreu confiando. Ele Se resignou a qualquer resposta que Deus desse e prometeu louvar a Deus em companhia de Seus irmãos, que seriam os beneficiários com Ele. “Salva-Me da boca do leão; sim, ouviste-Me, das pontas dos bois selvagens. Então declararei o Teu nome aos Meus irmãos; louvar-Te-ei no meio da congregação” (Sl 22:21-22). Ele sentiu o terrível juízo, mas quão perfeitamente Ele obedeceu, apesar de tudo. A resposta à Sua oração veio em ressurreição e, de acordo com as palavras do Salmo, a resposta correspondente de louvor a Deus seria para todos os que temem ao Senhor entoar com Ele. Deus honrou essa fé e obediência. O Senhor Jesus rompeu os laços da morte e deu esperança à raça humana. Nenhuma circunstância pode separar das bênçãos de Deus os eleitos e chamados, nem mesmo a morte. O capítulo 8 de Romanos desenvolve esse tema e nele a esperança é mencionada sete vezes. Somos salvos na esperança e temos todos os motivos para ter esperança até o fim.

 

“Espera em Deus” 

No Salmo 42, temos outro exemplo de como o Senhor Jesus manteve a esperança diante d’Ele enquanto passava sob as águas do juízo. O salmo diz: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda O louvarei pela salvação da Sua face” (v. 5). Quando uma alma justa está sofrendo, surge a pergunta lógica: por que é assim? Esse sentimento não é errado em si mesmo, mas dúvidas ou desconfianças em Deus nunca devem ser permitidas. Quando sentimos sofrimento e dor, é correto orar e gemer, mas reclamar e procurar ajuda em outro lugar é errado. O salmo continua recordando o gozo das bênçãos de Deus, o que leva o salmista a repreender o desânimo e a esperar em Deus. O último versículo do salmo repete as mesmas palavras com uma pequena mudança que parece torná-lo uma expressão de determinação de “esperar em Deus”, Aquele que é  “a salvação da minha face”. O desânimo se foi e a ocupação com Aquele que é a salvação de sua face é tudo.

 

Esperança até o fim 

Quando o Senhor Jesus foi entregue e crucificado, Ele demonstrou perfeitamente essa confiança em Deus diante dos insultos de Satanás. Lemos como os principais sacerdotes, junto aos escribas e anciãos, disseram: “Confiou em Deus; livre-O agora, se O ama; porque disse: Sou Filho de Deus” (Mt 27:43). Este foi o supremo teste de fidelidade. Uma coisa é confiar em Deus quando as coisas estão indo bem, mas essa era a hora de Satanás e o poder das trevas, mesmo assim o Senhor Jesus nunca Se desviou da perfeição. O resultado dessa obediência até a morte é que Deus O ressuscitou dentre os mortos; o Senhor rompeu os laços da morte e das trevas e trouxe à luz a vida e a incorruptibilidade por meio do evangelho, para que nós, os que colocamos o nosso refúgio em reter a esperança proposta que temos diante de nós. “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo; Como filhos obedientes… andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação. Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o Qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós e por Ele credes em Deus, que O ressuscitou dentre os mortos, e Lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus” (1 Pe 1:13‑21).

 

D. C. Buchanan

Deus Fala de Cima

 

A explosão de um meteoro na região dos Urais da Rússia em 15 de fevereiro de 2013 deixou um mundo já perturbado um tanto atordoado. Muitos que testemunharam ficaram aterrorizados e gritaram que era “o fim do mundo”. A enorme massa, estimada em mais de 10.000 toneladas, entrou na atmosfera da Terra a cerca de 1.000 milhas a leste de Moscou, explodiu em uma bola de fogo e depois liberou uma onda de energia 30 vezes mais potente que a bomba atômica lançada em Hiroshima, Japão, em 1945. No momento da redação deste artigo, eles ainda não haviam recuperado nenhum fragmento do meteoro original, mas a explosão, que ocorreu a uma altitude de 24 a 30 quilômetros, causou uma onda de choque que quebrou milhares de janelas em Chelyabinsk e outras cidades próximas e feriu mais de 1.200 pessoas. Além disso, um grande buraco foi aberto no gelo do lago Chebarkul, presumivelmente por fragmentos e detritos do meteoro.

 

Juntamente com este evento, na mesma data, um grande asteroide passou pela Terra, mais perto do que qualquer asteroide que já foi visto e registrado nos últimos anos. Embora tenha passado a mais de 27.000 quilômetros da Terra e seu tamanho (estimado em 50 metros de largura) seja pequeno, no entanto, o fato de ter chegado tão perto da Terra e no mesmo dia em que ocorreu o evento do meteoro na Rússia causou preocupação generalizada.

 

Asteroides e meteoroides 

Asteroides são pequenos pedaços rochosos de detritos no espaço, menores que um planeta, e que normalmente orbitam em torno do Sol. Meteoroides são pedaços menores de detritos que geralmente se originam de um asteroide ou cometa e que também orbitam em torno do Sol. Quando um meteoroide entra na atmosfera da Terra, é chamado de meteoro, e se um fragmento realmente sobrevive à queda através da atmosfera e atinge a Terra, então é chamado de meteorito.

 

A maioria dos meteoros se desintegra à medida que passam pela atmosfera da Terra, formando uma faixa de luz ou bola de fogo, comumente chamada de “estrela cadente”.

 

Grandes meteoros já explodiram sobre a Terra antes, e muitos menores atingiram a Terra como meteoritos, às vezes causando danos. Em particular, um meteorito muito grande explodiu sobre a área do rio Tunguska na Sibéria em 1908. Embora não tenham sido relatados feridos, o evento gerou energia suficiente para arrasar cerca de 2.100 quilômetros quadrados de floresta. Eventos menores ocorreram em outros momentos em várias partes do mundo, e a queda de detritos ocasionalmente feriu pessoas.

 

Eventos significativos 

O que torna os eventos de 15 de fevereiro de 2013 tão significativos é duplo. Antes de mais nada, há o fato de que dois eventos muito incomuns do espaço sideral ocorreram poucas horas de diferença. Segundo, é a primeira vez que danos em larga escala são causados em uma área povoada e com um grande número de pessoas feridas. Certamente, a área não era muito povoada, e estremecemos ao pensar no que poderia ter acontecido se o evento tivesse ocorrido em uma cidade grande como Nova York, nos EUA, Mumbai, na Índia ou Tóquio, no Japão. No entanto, os ferimentos e danos (estimados em 175 milhões de reais) são certamente suficientes para causar um alarme real. Além disso, aumenta a conscientização sobre a possibilidade de um futuro evento catastrófico.

 

Certamente tudo isso tem significado para este mundo e para nós como crentes. Embora esses eventos tenham ocorrido antes e, portanto, possam ser passados como mera coincidência, é evidente que o Senhor está falando com este mundo. Eventos originados em nosso mundo e em sua atmosfera, como terremotos, inundações, secas, furacões e tsunamis, são ruins o suficiente e o homem não pode controlá-los. No entanto, os fenômenos do espaço exterior estão totalmente fora do domínio do homem e têm um significado especial. Eles devem ser levados a sério.

 

O Senhor falou bastante alto com este mundo nos últimos anos, com graves desastres naturais, bem como tragédias provocadas pelo homem, como a de 11 de setembro de 2001. Como já apontamos nos artigos anteriores de O Cristão, estas coisas têm como objetivo abalar o homem e fazê-lo perceber que o juízo está chegando neste mundo. Os eventos ocorridos em 15 de fevereiro de 2013 certamente devem ter o mesmo impacto.

 

Eventos futuros 

Durante o terrível período depois que os crentes forem chamados para casa e o Senhor vier, Deus começará a tratar com este mundo e, entre outros eventos, lemos que “haverá sinais no Sol e na Lua e nas estrelas... porquanto os poderes do céu serão abalados” (Lc 21:25‑26). Embora mais de um significado possa ser extraído dessas palavras, certamente não é ir além da Escritura sugerir que alguns desses sinais podem se originar no espaço sideral. Somos lembrados em Hebreus 12:26 que o Senhor diz: “Ainda uma vez comoverei, não só a Terra, senão também o céu”. Tudo o que não estiver de acordo com a mente de Deus será abalado e acontecerá que “só o Senhor será exaltado naquele dia” (Is 2:11). Deus agora está dando ao homem uma pequena amostra do que está por vir, a fim de que ele seja advertido a “fugir da ira vindoura”. Como Eliú pôde lembrar a Jó, o homem precisa “ouvir atentamente o rugido de Sua voz” (Jó 37:2 – JND).

 

Para nós, como crentes, não precisamos ficar alarmados com essas coisas, embora devêssemos estar preocupados e pesarosos por um mundo perdido e cada vez mais rebelde! Conhecemos e pertencemos Àquele que criou todas as coisas “que há nos céus e na Terra” (Cl 1:16), e Aquele de Quem é dito que “todas as coisas subsistem por Ele” (Cl 1:17). Nem sequer um único evento pode ocorrer sem que Ele permita. O universo não está fora de controle, como alguns diriam, nem está à mercê de forças demoníacas. Aquele que “fez os mundos” também está “sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder” (Hb 1:2–3), e está operando “todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade” (Ef. 1 11). Sua mão está dirigindo tudo, para que, no final, todas as coisas, tanto no céu como na Terra, possam ser reunidas em Cristo.

 

W. J. Prost

Esperança

 

Regozijo-me com o pensamento de que cada pôr-do-sol está nos aproximando cada vez mais de um mundo onde os sóis nunca se porão, onde caminharemos juntos para sempre em uma atmosfera de luz e glória e onde todo o desejo, anseio e esperança de nosso coração será plenamente satisfeito! Quão bendito é sentir que temos tal esperança! Quão maravilhoso é que, enquanto o mundo ao nosso redor segue as sombras e caminha em um show vão, conhecemos e amamos a verdade – que as nossas são esperanças que não vão, e nem podem, nos enganar.

 

Sir Edward Denny (adaptado)

Esperança

 

O que poderia ser pior do que estar sem esperança? (Ef 2:12)

Muitos estão presos neste estado perigoso;

Sem nem sequer saber o que há além da morte,

Eles vivem para o momento e confiam num destino cego.

 

É claro na Bíblia que há apenas uma maneira

De satisfazer a Deus na questão do pecado;

Oh! Confie no Salvador que morreu na cruz; (1 Tm 1:1)

Então o céu está aguardando para recebê-lo! (Cl 1:27).

 

Agora, a esperança muda a vida de “espero que” para “estou certo que”. (Hb 11:1)

É certo que Deus mantém todas as suas promessas que Ele fez;

Ele dá vida eternal que não pode ser perdida... (Tt 3:7)

Foi comprada com preço que o Senhor Jesus pagou.

 

Esta é a esperança em que o coração regozija; (Rm 12:12)

Ela é a âncora da alma e sente, a cada hora; (Hb 6:19)

Que ela não pode desapontá-lo porque é segura: (Rm 5:5)

E ela cresce à medida que você vive no bem de seu poder!

L. Perry


“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”

Romanos 12:12 


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